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Derinkuyu: a cidade subterrânea de 18 andares que ficou escondida sob uma casa comum

Debaixo de uma casa comum da Capadócia havia túneis, igrejas, estábulos e poços para milhares de pessoas. E ninguém sabe ainda quanto falta mapear.

Quando
c. 800 a.C. ao século X d.C.
Onde
Derinkuyu, Capadócia, Turquia
Situação
Explicado em parte a explicação principal é aceita; detalhes seguem abertos

Por Redação Ecos do Passado. Publicado em 2 de novembro de 2026. Leitura de 3 min.

Vários níveis de salas e corredores escavados na rocha, ligados por escadas e iluminados por luz amarela
Salas, escadas e corredores se empilham em vários níveis escavados na rocha vulcânica. Ilustração criada para este artigo, não é registro de época.

Em 1963, um morador da cidade de Derinkuyu, na região da Capadócia, estava reformando sua casa quando derrubou uma parede. Atrás dela havia um corredor escuro. O corredor levava a outro corredor. Que levava a uma sala. Que levava a uma escada. Que descia.

Ele continuou descendo. Havia mais salas, mais corredores, mais escadas. Ventilação, cisternas, estábulos, cozinhas, igrejas, depósitos de alimentos, poços.

Abaixo de sua casa havia uma cidade completa: 18 andares subterrâneos, 85 metros de profundidade, capacidade estimada para 20.000 pessoas. E não era a única na região.

O que está lá embaixo

Derinkuyu desce aproximadamente 85 metros abaixo da superfície em 18 andares funcionais.

Os andares superiores abrigavam estábulos para animais, com argolas de amarração ainda visíveis. Os níveis intermediários tinham residências, depósitos de alimentos e vinho, cozinhas com aberturas de ventilação, poços de água. Os níveis profundos incluíam uma escola com bancadas de pedra, uma igreja cruciforme e, no andar mais baixo, um túnel de vários quilômetros que liga Derinkuyu a outra cidade subterrânea, Kaymakli.

O sistema de ventilação é extraordinário: mais de 50 poços verticais garantem renovação constante do ar para todos os 18 andares. Sem isso, 20.000 pessoas tornariam o ar irrespirável em horas. A engenharia é comparável, em ambição, à da Grande Pirâmide de Gizé, onde câmaras recentemente descobertas por scanners de múons revelam que os egípcios também construíam em profundidade com precisão perturbadora.

As portas: pedras circulares de 200 a 500 quilos que rolavam sobre trilhos esculpidos na rocha para fechar as entradas. Só podiam ser movidas por dentro, e um furo central permitia que os defensores enfiassem lanças sem abrir a porta. É um sistema de segurança pensado com engenharia fria e eficiente.

Grande pedra circular com um furo no centro, encaixada na parede de um corredor escavado na rocha
As portas de pedra rolavam para fechar a passagem e só se moviam por dentro.Ilustração criada para este artigo, não é registro de época.

Quem construiu, e por quê

Derinkuyu foi provavelmente construída e ampliada por múltiplas civilizações ao longo de milênios. A rocha da Capadócia é tufo vulcânico: fácil de escavar com ferramentas simples, mas que endurece ao ser exposto ao ar, o que torna os túneis estáveis. Material ideal para construção subterrânea.

As origens mais antigas são atribuídas, sem consenso, aos hititas (por volta de 1800 a.C.), com ampliações pelos frígios (800 a.C.) e, principalmente, pelos cristãos da Capadócia nos séculos VII a X d.C., quando as invasões árabes tornavam o refúgio subterrâneo uma necessidade frequente.

A temperatura interior é constante: 13 a 15 °C o ano todo, independentemente do clima lá em cima. No inverno rigoroso da Capadócia, uma vantagem enorme. Mas o custo psicológico de semanas embaixo da terra, sem luz natural, em espaços estreitos, com 20.000 pessoas (e seus animais) é considerável.

Que tipo de ameaça tornava isso preferível à superfície? Os cronistas que descreveram as invasões árabes respondem: ameaças que destruíam aldeias, escravizavam sobreviventes e queimavam tudo.

Homens e mulheres de túnica sentados numa sala subterrânea de pedra, em volta de lamparinas acesas
Semanas sem luz do sol, à luz de lamparinas: o refúgio também cobrava seu preço.Ilustração criada para este artigo, não é registro de época.

O que ainda está sendo descoberto

Em 2013, a demolição de casas para uma obra de renovação urbana em Nevşehir revelou a entrada de outro complexo subterrâneo, potencialmente maior que Derinkuyu. As escavações preliminares são promissoras, mas continuam em andamento.

A Capadócia tem mais de 200 estruturas subterrâneas identificadas. Tecnologias modernas de georadar continuam revelando novas cavidades, com a mesma lógica de varredura não invasiva que, usando múons, encontrou em 2017 uma câmara desconhecida dentro da Grande Pirâmide de Gizé. E, assim como a cidade submersa de Dwarka, Derinkuyu permanece parcialmente inexplorada. Quantos quilômetros de túneis existem sob a região, ninguém mapeou ainda.

Derinkuyu é a maior que conhecemos. Pode não ser a maior que existe.

Para outros lugares onde o medo moldou a arquitetura, leia sobre Nan Madol, onde um povo inteiro viveu sobre o oceano, e sobre Sacsayhuamán, projetada para resistir a invasões e terremotos. Para outro caso em que pessoas abandonaram às pressas o próprio abrigo, veja o Incidente de Dyatlov Pass.

Fontes

  • Turchetto, J. (2012). "Underground Cities of Cappadocia." Anatolian Studies.
  • UNESCO. Göreme National Park and the Rock Sites of Cappadocia (documentação do Patrimônio Mundial).
  • Özgüç, T. (1963). Relatório inicial, Ministério de Cultura da Turquia.

As obras e os estudos em que este texto se apoia. Viu um erro? Escreva para a redação.

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